Não é raro, em programas e canais de youtube que falam sobre decoração, o apresentador (arquiteto ou designer) partir para uma solução, por vezes, controversa: “garimpar coisas na casa dos familiares, amigos e vizinhos”…

Eu, particularmente, acho muito engraçado quando algum profissional da area fala isso, pois fico imaginando a pessoa entrando na casa dá avó, pegando a poltrona e saindo porta afora e a vó – coitada – ficando sem poltrona (e P* da vida! rsrsrs)… Imagino a pessoa pegando a mesa da casa da mãe e a mãe tendo que comer na sala, sentadinha no sofá…

Afinal, quem é que tem duas mesas, poltronas (aparadores, mesa de cabeceira, espelho, etc.) sobrando em casa e, ainda amis, DE QUALIDADE, que possam ser restaurados? E desses móveis não mais desejados, quais poderiam realmente ser “aproveitados” por outras pessoas, na reforma de outros lares?

Como é que poderíamos “garimpar na casa dos familiares, amigos e vizinhos” se nem sabemos o que pode ser reformado, quanto custaria pra reformar e (o mais importante) se esse investimento realmente vai ser uma boa ideia, afinal… os materiais têm uma certa durabilidade e, depois de anos de uso (muitas vezes sem manutenção), será que o resultado dessa restauração ficaria satisfatório (e durável)?

COMO ECONOMIZAR NA COMPRA DE MÓVEIS NOVOS (clique e veja a matéria completa)

A maioria dos “garimpos”, mostrados em programas de TV, são clássicos do design de uma época (geralmente mais de meio século de idade), ou algo que “viraliza” no Pinterest ou relíquias, peças únicas com uma linguagem muito peculiar. Peças mais “comuns” fabricadas e vendidas nos últimos 10, 20 anos, que ainda não se tornaram clássicos e cujo design encontra-se “em desuso”, não são valorizadas. Na verdade, são desprezadas.

Essa forma de olhar para os objetos usados é um reflexo do nosso tempo, que persiste desde a revolução industrial, que viabilizou a fabricação de bens de forma mais rápida e mais barata. Antes das fábricas de móveis, por exemplo, o processo produtivo era basicamente artesanal. Feitos por carpinteiros ou marceneiros, os móveis demoravam mais tempo para serem fabricados e não contavam com o fator obsolescência programada, portanto duravam mais.

LOJA DE MÓVEIS PLANEJADOS OU MARCENEIRO: QUAL É MELHOR? (clique e veja a matéria completa)

No Brasil, um país emergente, não temos o costume de investir em “mobilia usada” ou “second hand”, quando pensamos em reformar. Isso acontece porque, na maioria das vezes, elas são mais caras do que as “fast furniture” (móveis feitos com material menos nobre, que têm durabilidade muito baixa casas bahia), então a população, que poderia se beneficiar dos pertences usadinhos e “fora de moda” (mas de ótima qualidade) de quem está desapegando, optam por comprar algo novo, com design atual, recém saído das revistas de decoração e dos posts das blogueiras, mesmo que isso signifique a obrigatoriedade de substitui-lo em um futuro muito próximo (o famoso “barato que sai caro”) …

MÓVEIS BARATOS: PORQUE VOCÊ NÃO DEVE COMPRAR? (clique e veja a matéria completa)

Em alguns países, já é comum a existência de bazares de garagem, brechós online e grandes lojas de objetos (e roupas) usados. Um grande movimento de garimpo e compras de bens de segunda mão tem chamado a atenção e ganhado cada vez mais adeptos na Europa e em muitos países de outros continentes, graças às pesquisas que atestam o impacto da geração desenfreada de resíduo humano (LIXO!).

Optar por garimpar ao invés de comprar novo é só uma das várias atitudes sustentáveis que podemos implementar na nossa rotina. Mas como fazer isso dentro de um país onde a cultura fomenta exatamente o oposto?

Em primeiro lugar, você precisa saber que, mesmo em nosso país, esse movimento vêm ganhando cada vez mais adeptos e, graças a isso, estão começando a surgir modelos de negócios voltados para esse público engajado nas causas ambientais. Já existem, por exemplo, empresas que pegam os desapegos de quem está de mudança ou de quem perdeu um familiar e vendem tudo em um leilão de final de semana, facilitando a vida de quem desapega e a vida dos garimpeiros. Existem as vendas consignadas em brechós e antiquários, classificados online, sites de trocas e até grupos em redes sociais, para conectar quem está vendendo e quem precisa comprar.

Não está tudo perdido, mas precisamos criar o hábito de investir em qualidade e durabilidade, para que o mercado ajuste a oferta de produtos e serviços à essa demanda específica.

Não reformar não é uma opção. Diversos estudos atestam que o desenvolvimento do ser humano (no que diz respeito a questões neurológicas) está atrelado ao espaço físico onde ele está inserido. Um espaço que não sofra mudanças de tempos em tempos pode facilitar a estagnação e até o retrocesso na formação de sinapses neurais, em decorrência da falta de novos estímulos sensoriais (principalmente para que trabalha home office e passa muito tempo no mesmo ambiente!).

SUA DECORAÇÃO PODE ESTAR PREJUDICANDO SUA SAÚDE! (clique e veja a matéria completa)

Precisamos aprender a ressignificar peças de mobiliário, remodelá-las e restaurá-las, assim como vemos fazendo há tantos anos com nossos carros e casas. Nossos padrões estéticos também precisam ser alinhados. Frear o desejo pelo último lançamento, pela trend do momento e valorizar a história de cada objeto apesar da sua estética démodé.

“Garimpar na casa dos familiares, amigos e vizinhos” não deve ser, para nós, uma cena imaginária pitoresca e sim, um hábito. Remodelar nossos espaços não deve ser um convite ao consumismo e à geração de resíduo, mas sim, à troca de vivências.

É possível reformar sem deixar uma pegada de carbono gigantesca para trás, SIM! Procure pessoas que dividam essa visão de mundo com você. Comunique-se. Fale sobre as suas aspirações, suas necessidades, Divulgue! As redes sociais são ótimas ferramentas para conectar pessoas com interesses parecidos, usufrua delas!

É inegável que existem muitas técnicas de restauro e upcycling e que é difícil saber que tipo de objeto e material podem ou não ser restaurados (e o que vale ou não a pena restaurar). Para se tomar essa decisão é preciso deter conhecimento de várias áreas.

Esse conhecimento faze parte do pacote de atribuições dos arquitetos, além de noções sobre o impacto estético que esses objetos gerarão no seu espaço. Portanto, procure profissionais alinhados com esses princípios, para auxiliar nessa empreitada e seja muito feliz com seus novos garimpos!

Espero que você tenha gostado desse conteúdo! Se ficou com alguma dúvida, deixe um comentário e eu terei prazer em responder! Se gostou desse post, compartilha com quem precisa saber dessas informações! Não se esqueça de seguir a Catabila nas redes sociais para fazer parte da comunidade!

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