A dúvida “designer ou arquiteto” é parecida com a “arquiteto ou engenheiro”… O fato é que as profissões se cruzam e muitas atribuições não são exclusivas do arquiteto ou do designer e podem ser praticadas por ambos!

Mas na prática, qual dos dois vai ser melhor para a minha reforma? QUAL EU DEVO CONTRATAR?

Bem, primeiramente, é preciso dizer que, quando consideramos as esferas estética, de ergonomia, conforto térmico, acústico e visual, ambos profissionais teoricamente tiveram acesso aos conhecimentos para propor as soluções adequadas, sendo a qualidade e extensão desse conhecimento, relativos à qualidade da instituição na qual graduou-se e a outros cursos de qualificação.

Como em qualquer profissão, alguns profissionais tiveram mais acesso e acesso a conteúdo de qualidade, outros tiveram menos acesso e acesso a conteúdo e de menos qualidade e isso, somado à experiência prática, determina o quanto um profissional é bom ou ruim…

Dito isso, vamos às questões, digamos, “menos variáveis” relativas às duas profissões que podem te ajudar a determinar qual profissional é a melhor opção para você:

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Vamos a um exemplo prático que vai elucidar o que eu pretendo apresentar a seguir. Imagine que você queira mudar um sanitário de lugar, em um banheiro, por exemplo. Para ter certeza que essa alteração é viável, o profissional precisará estar ciente de que as instalações do PRÉDIO INTEIRO sofrerão interferência, portanto, esse mesmo profissional deve conhecer as normas técnicas que regem tais serviços e atividade, além de entender como funcionam as instalações de esgoto, hidráulicas, as estruturas, impermeabilizações, etc. de PRÉDIOS, em geral! Esses sistemas construtivos, técnicas construtivas e normas fazem parte da grade curricular dos cursos de ARQUITETURA (Isso já te dá uma dica de onde eu pretendo chegar, mas vamos ao que interessa) O principal que você precisa ter em mente é que:

DESIGNER faz DESIGN ou DECORAÇÃO de interiores. ARQUITETO faz ARQUITETURA de interiores.

Mas qual a diferença?

O que o arquiteto faz? – clique para ver a matéria completa

A Resolução Federal CAU/BR nº 76/2014, define o que é decoração:

“um simples arranjo do espaço interno criado pela disposição de mobiliário não fixo, obras de arte, cortinas e outros objetos de pequenas dimensões, sem alteração do espaço arquitetônico original, sem modificação nas instalações hidráulicas e elétricas ou ar condicionado, não implicando, portanto em modificações na estrutura, adição ou retirada de paredes, forro, piso, e que também não implique na modificação da parte externa da edificação”.

A mesma Resolução Federal CAU/BR nº 76/2014 define Arquitetura de Interiores como:

“Intervenção detalhada nos ambientes internos e externos (…) alterando ou não a concepção arquitetônica original, (…) no âmbito: espacial; das instalações; de condicionamento acústico; de climatização; estrutural; dos acabamentos; luminotécnico; da comunicação visual; das cores; e mobiliários; de equipamentos; da coordenação de projetos complementares; e da proteção e segurança”.

Simplificando, quando tem quebra-quebra, CHAME UM ARQUITETO!

A principal justificativa para isso é que o projeto de design de interiores (diferentemente da ARQUITETURA de interiores) não é capaz de por em risco a vida do usuário. Os designers não possuem um conselho profissional e, portanto, não têm uma entidade oficial com poder de autarquia para fiscalizar a atuação profissional e punir profissionais que atuem de forma ilegal ou antiética, como o CAU o faz, pelos arquitetos e pela sociedade civil.

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Essa questão vem sendo cada vez mais fiscalizada, depois que entrou em vigor a NORMA DE DESEMPENHO e outras normas, que obrigam as construtoras a darem garantia pelos serviços executados e pelos equipamentos, quando entregam a obra.

Para que os serviços e equipamentos entregues pelas construtoras não sofressem avarias, em consequência de má conduta dos moradores (obras e reformas sem profissional capacitado), foi criada uma outra norma que orienta sobre obras de reforma em unidades condominiais. A NBR16.280.

Ela orienta os síndicos a exigirem responsável técnico nas obras realizadas dentro das unidades privativas e a manterem um registro das alterações feitas em cada unidade, para fins de consulta em caso de disputas judiciais, por exemplo, caso a construtora seja chamada para reparar danos.

Para isso, a norma orienta os síndicos a exigirem um PROJETO (no qual constem todas as alterações feitas dentro da unidade) e um RRT (REGISTRO DE RESPONSABILIDADE TÉCNICA) sobre os serviços de elaboração de projeto e de execução de obra.

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Essa norma também responsabiliza o síndico, o morador e o proprietário do imóvel por danos causados à edificação inteira, decorrentes de alterações que não tenham sido elaboradas, executadas e acompanhadas por responsável técnico. E todos podem responder civil e CRIMINALMENTE por tais danos.

Se sua obra possui responsável técnico e RRT, essa responsabilidade recai sobre esse profissional.

Portanto, se o profissional que você contratou propuser soluções para o seu espaço, que impliquem em alteração de um dos fatores dos quais trata a Resolução Federal CAU/BR nº 76/2014 (INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS, ELÉTRICAS, AR CONDICIONADO, ESTRUTURA, ADIÇÃO OU RETIRADA DE PAREDES, FORRO, PISO, E MODIFICAÇÃO DA PARTE EXTERNA DA EDIFICAÇÃO), esse profissional DEVERÁ assumir a responsabilidade técnica por cada decisão, logo, DEVERÁ emitir RRT.

Apenas arquitetos podem emitir RRT (engenheiros podem emitir ART, que serve para o mesmo propósito).

Ou seja, se você contratar um designer para elaborar o seu projeto, saiba que, na hora de propor uma mudança desse tipo, o DESIGNER TEM OBRIGAÇÃO LEGAL de consultar o arquiteto, para que o cliente não corra o risco de danificar a infraestrutura do prédio, causar prejuízos a outros condôminos e até para não causar nenhum acidente aos usuários.

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Esse arquiteto consultado terá obrigação legal de avaliar as soluções propostas pelo designer e emitir um laudo ou parecer técnico (com emissão de RRT) que ateste a exequibilidade e a segurança de tais alterações para os moradores e vizinhos e para a estrutura do prédio.

Dessa forma, você garante a segurança da sua obra, a sua segurança e da sua família e evita disputas judiciais!

E aí? o que achou desse artigo? Se ficou com alguma dúvida, deixe um comentário e eu terei prazer em responder! Se gostou, compartilha! Não se esqueça de seguir a Catabila nas redes sociais para fazer parte da nossa comunidade!

Um comentário em “É MELHOR CONTRATAR DESIGNER OU ARQUITETO?

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