Na hora de escolher a matéria prima para a execução da sua peça de mobiliário (um rack de TV para a sua sala, por exemplo), você sabe qual é o material mais indicado?

Quando estamos prestes a tomar uma decisão junto ao marceneiro, sobre qual material usar, precisamos ficar atentos aos prós e contras de cada material e colocar na balança!

Po risso, hoje vim tirar todas as dúvidas a respeito desses três materiais tão usados na construção e na decoração!

Primeiramente, é preciso entender qual é a diferença física entre os 3 materiais:

Madeira de lei

É o material extraído da natureza que, para ser transformado em elementos construtivos ou mobiliários, precisa passar por processos (químicos ou naturais) de secagem, impermeabilização e proteção contra fungos e insetos. A madeira de lei difere-se das demais madeiras, como pinus e eucalipto, por causa da sua dureza. Sendo muito mais dura, com poros muito menores do que as demais madeiras, possui uma vida útil muito maior (quem nunca se deparou com um móvel antigo que passa de geração em geração e continua impecável, sem que seja feita absolutamente nenhuma manutenção)…

Além da dureza, as madeiras de leis têm um outro diferencial, não tão agradável: o crescimento lento. As árvores de onde são extraídas essas madeiras, como o mogno, a cerejeira, etc. levam muitos anos para se tornarem adultas e atingirem o ponto ideal para o corte. Por isso, são necessários muitos hectares de plantio (quando se trata de manejo) para que a sua extração tenha continuidade ao longo dos anos. Esse pré-requisito onera (e muito) o material e essa é a diferença mais notória pelo público em geral.

Apesar de ser um material extremamente durável, o que diminui a geração de resíduo (e, consequentemente, o impacto ambiental),
a extração de madeira ocorre principalmente na Amazônia e de forma ilegal, sendo responsável pela abertura de cada vez mais rodovias e pela expansão da fronteira agrícola, acarretando no esgotamento das reservas da Mata Atlântica, na destruição da fauna e na invasão de terras indígenas.

MDF

MDF é a sigla para “Medium Density Fiberboard“, que significa “placa de fibra de média densidade”, são painéis de madeira reconstituída, produzidos por meio da aglutinação de fibras de madeira com resinas sintéticas e aditivos.

Vendido em chapas de várias espessuras, variando entre
3mm a 60 mm, mas com densidade sempre uniforme, possui um acabamento superficial envernizado, que confere certa resistência. Existem vários tipos de chapas de MDF: chapas resistentes ao fogo, à água, chapas com maior quantidade de plástico, e etc.

MDP

MDP é a sigla para ” Medium Density Particleboard“, que significa “placa de partículas de média densidade” é um painel de aglomerado constituído de partículas de madeira aglutinadas entre si – com resinas ureicas, principalmente – mediante a ação de temperatura e alta pressão.

O material é produzido em três camadas: uma camada grossa no miolo, menos compactada e duas camadas finas nas superfícies, mais compactadas, para dar mais resistência na colocação de parafusos.

Por possuir mais espaços vazios no sou miolo, é mais leve do que o MDF, o que o torna ideal para ser usado em portas de armários, aumentando a vida útil das dobradiças, pistões ou outros sistemas de abertura.

Por possuir alta capacidade de absorção (maior do que a do MDF), não é ideal para a obtenção de um resultado de acabamento fino com pinturas ou resinas (a famosa laca, por exemplo).

Graças à sua alta capacidade de absorção, sua adesão a outros materiais, através de cola é excelente, sendo adequado para receber acabamentos superficiais colados, como lâminas (de madeira natural, sintéticas – laminados melamínicos de alta ou baixa pressão – mais conhecidos como “Fórmica” ou outras. Por causa do baixo peso é adequado para compor outros tipos de elementos, como os tamburatos (painéis com miolo de papel reciclado em formato de colmeia de abelha), usados em prateleiras e bancadas com espessuras maiores.

Ambos materiais (MDF e MDP) são fabricados com madeira
de reflorestamento, geralmente pinus e eucalipto, mas alguns outros fatores relacionados ao processo de fabricação devem ser levados em consideração quando se trata de sustentabilidade e impacto ambiental.

É o caso da emissão de carbono, do uso de combustíveis fósseis e do uso da terra, por exemplo.

“Quanto ao grau de toxidade dos resíduos da sua fabricação, percebemos que no caso da madeira maciça o resíduo não é tóxico, podendo ser aproveitado em granjas como forração para a criação de animais, e também na agricultura para auxiliar na retenção de umidade do solo. Já no caso dos painéis de compensado e MDF, o aproveitamento de resíduo está mais limitado à queima para geração de energia, já que a produção de tais materiais requer a adição de resinas sintéticas. “

COMPARATIVO DE IMPACTOS AMBIENTAIS ENTRE PRODUTOS PROVENIENTES DA MADEIRA PARA PROJETOS DE MOBILIARIO – 12º CONGRESSO BRASILEIRO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO EM DESIGN (2016)

São utilizados na fabricação dos painéis de MDF e de MDP, resinas compostas por formaldeído (conhecido como formol), classificado desde 2004, pela IARC ( Agência Internacional de Pesquisa em Câncer), como composto cancerígeno. Este agente químico é expelido na atmosfera durante o seu manuseio e após seu descarte, contaminando todo o ambiente. Além disso, a exposição prolongada ao pó derivado da serragem e às partículas inorgânicas geradas no processo de queima da madeira causam câncer na faringe, tornando o processo de fabricação extremamente danoso aos trabalhadores.

No fim das contas, cada material tem suas peculiaridades e, por isso é tão importante que tenhamos ciência das suas características, suas qualidades e seus defeitos. Assim poderemos tomar a decisão mais adequada para cada situação!

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6 comentários em “MDF, MDP ou madeira de lei, qual é o melhor material?

    1. Obrigada pelo seu comentário!! É verdade! Só precisamos estar sempre monitorando os aditivos químicos, para que a porção de material sintético, não prejudique nem a saúde do usuário, enquanto faz uso do material, nem o meio ambiente, na hora do seu descarte!

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